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Revista Virtual de Cultura Surda - Editora Arara Azul

A Revista Virtual de Cultura Surda é uma publicação da Editora Arara Azul, especializada em materiais e serviços para pessoas surdas e profissionais que atuam na área da surdez. A revista divulga temas ligados aos surdos e, consequentemente, torna-se um espaço de aprofundamento e reflexões sobre as mais variadas questões de interesse das pessoas surdas e ouvintes.

Segundo a própria editora, a revista 'abriga diferentes correntes de opiniões e busca fortalecer discussões entre aqueles que, como nós, lutam por uma sociedade mais humana e mais justa para todos, surdos e ouvintes'.

Saboreie este material diretamente em Revista Virtual de Cultura Surda .


A História de Bárbara

O texto abaixo foi copiado integralmente do Blog de Paula Pfeifer . É uma bela história de uma menina comum e suas batalhas diárias para enfrentar a deficiência auditiva.

“Olá, Paula! Com muito prazer escrevo este depoimento! Sou Bárbara Neves Maia, 20 anos, nasci e resido em Teresina, Piauí. Sou deficiente auditiva bilateral de moderada a severa, não uso Libras, mas pretendo algum dia aprender. Sou oralizada e faço leitura labial.

Minha mãe descobriu que eu era deficiente ainda bebê, pois era mais silenciosa, chorava quando não entendia algumas situações, e aos dois anos fui para São Paulo fazer um exame que aqui não tinha. Lá foi detectada minha perda auditiva. Após o exame, meus pais compraram os aparelhos auditivos e a partir daí comecei a usá-los. Não se sabe a origem, talvez pela incompatibilidade sanguínea durante a gravidez – eristroblastose fetal – ou os antibióticos que eu havia tomado.

Com três anos, entrei no primeiro colégio em que estudei, depois mudei duas vezes. No terceiro deles fiquei durante toda a vida escolar. Lá minha mãe pediu a diretora que repetisse a alfabetização, pois o colégio já estava muito adiantado e eu não havia aprendido todo alfabeto ainda. Na primeira série do ensino fundamental, tinha algumas meninas que me falavam coisas absurdas, gritavam me chamando de surda, sofri muito nesse período. Mas, depois que uma das meninas saiu, nunca mais aconteceu isso. Na verdade, não lembro de praticamente nada da minha infância. Lembro vagamente de alguns momentos que passava com duas amigas na páscoa, quando pintava os ovos de galinha, íamos para um clube e brincávamos de esconde-esconde, nadávamos, procurávamos ovos escondidos. Até que uma delas se mudou para os EUA, e a outra mudou de colégio. A partir daí, não lembro mais de nada. Tinha algumas amizades, mas na hora do recreio ficava mais com minhas irmãs e amigas delas. Até que na sexta série, conheci uma menina que morava no mesmo prédio que eu. No começo, não falava com ela no colégio, não sabia que ela existia e muito menos que morava no mesmo prédio. Numa noite, umas meninas do prédio me chamaram pra brincar no salão de festas. E foi daí que conheci Gabriela. Aos poucos, ficamos amigas, e ela acabou virando irmã. Ela dormia no meu apartamento, estudávamos juntas quase todos os dias, fazíamos trabalhos. Adorei conhecê-la. Foi com ela que eu aprendi a estudar, foi através dela que fiz outras amizades que duram até hoje. E despedidas ocorreram de novo. O pai dela foi transferido para outra cidade. Mas nunca me esquecerei dela e da sua família maravilhosa. Mas a vida é assim, como diz o papai, encontros e despedidas. A vida é uma caixinha de surpresas e acasos acontecem.

Do meu colégio, não tenho nada a reclamar, os professores eram meus amigos, sempre me ajudaram, sempre me apoiaram e deram broncas algumas vezes. Festa junina, feira de ciências, mercadinho, que tempos bons! Mas que sufoco a gente passou no ensino médio, com simulados, tarefas e a pressão aumentando com vestibular chegando. Só resolvi o que eu ia fazer no terceiro ano! Não tinha a mínima ideia do que eu faria naquela época. Decidi odontologia, pois minha irmã fazia e eu admirava muito os trabalhos delas. Passei no vestibular, entrei e, no segundo período, desisti. Não gostei, parecia que estava fora do mundo, pois era uma área muito específica. Laboratórios, relatórios, cadernos de bioquímica, histologia. Arghh! Não aguentei. Decidi então fazer Arquitetura e Urbanismo, área em que minha outra irmã é formada e muito satisfeita. Não me arrependo de ter mudado de curso, apesar de um não ter nada a ver com o outro, esse tem a ver comigo. Parece que tirei um peso das minhas costas. E eu me orgulho disso! Hoje, estou no terceiro período do curso, apesar das dificuldades que eu passo. Infelizmente ainda há preconceitos, e isso foi um choque pra mim. No colégio, nunca passei pelo o que estou passando na faculdade, as pessoas do colégio parecem ser mais maduras. Nem imaginava que pudesse ter preconceitos, e por isso sofri mais. Ainda estou em processo de superar tudo isso. Professores não são tão preparados para atender a gente. Para vocês terem uma ideia eu sou a primeira deficiente auditiva a cursar Arquitetura na instituição. Depois que achei o seu blog, e o blog da Lak Lobato, o sofrimento que eu passo foi amenizado. Leio todos os dias os blogs de vocês. E agradeço a Deus por vocês existirem.

E como eu disse, a vida é uma surpresa. Nunca defini deficiência auditiva como um fardo. Foi ela que me tornou a pessoa que sou hoje: forte! Eu tenho minhas “fraquezas” de vez em quando (ultimamente venho tenho tido muitas na verdade). Mas são elas que fazem uma pessoa forte, são elas que determinam sua pessoa. Nunca diga não! Nunca diga NUNCA!”


Libras: Língua Brasileira de Sinais

A libras é distinta do português e possui morfologia, sintaxe e semântica próprias. Ela é a segunda língua oficial do Brasil, conforme Lei Federal, que também disciplina a obrigatoriedade da sua aplicação como veículo de comunicação com a comunidade surda. Segundo o Censo de 2010, há 10 milhões de deficientes auditivos no país, que utilizam Libras como sua língua principal.


A Esperança do Implante Coclear [O GLOBO 21/02/2016]

O silêncio vivido pelos deficientes auditivos é uma experiência amarga. Não conseguem falar ao telefone, ouvir rádio, televisão ou o simples chamado dos filhos. Acabam seguindo o caminho sem volta do isolamento, pois qualquer conversa exige muita paciência dos interlocutores. Muitos viram especialistas em leitura labial para manter-se vivos na sociedade. As escolhas da vida são condicionadas pela dependência do som.

A escritora Helen Keller diz que 'a cegueira nos afasta das coisas, mas a surdez nos afasta das pessoas'. A surdez isola e é uma deficiência invisível. Vale a pena ler os livros da gaúcha Paula Pfeifer Moreira: 'Crônicas da Surdez' (Editora Plexus, 2013) e 'Novas Crônicas da Surdez: Epifanias do Implante Coclear' (Editora Plexus, 2015). São relatos bonitos sobre a deficiência auditiva e seu renascimento no dia que fez o Implante Coclear.

A batalha atual, segundo o médico da UFRJ, Jair de Carvalho e Castro, 'é retirar a carga de preconceito associada ao uso de aparelhos auditivos e implantes, outra é baratear os custos'. Os aparelhos tradicionais resolvem bem a questão da surdez leve ou moderada. Entretanto, a melhor opção para a surdez severa ou profunda é o implante coclear.

O implante é indicado para jovens ou adultos que já ouviram, portanto se comunicam pela fala. Também é muito indicado para bebês que nasceram sem ouvir. O ideal é fazer o procedimento até os 2 anos de idade, caso contrário o resultado será insatisfatório.

Uma bela dica: Blog de Paula Pfeifer


Uma Grande Injustiça com os Deficientes Auditivos

A lei garante a dedução do Imposto de Renda para a compra de próteses mecânicas, cadeira de rodas e aparelhos ortopédicos. Entretanto, a compra de aparelho auditivo ou aparelho para implantes cocleares não pode ser deduzido do Imposto de Renda. Por quê?

Segundo o censo do IBGE, as pessoas com dificuldade de ouvir ou que não ouvem absolutamente nada representam um exército de 2 milhões de pessoas. [O GLOBO 21/02/2016]


Teste da Orelhinha

A maioria dos pais preocupa-se, com razão, em realizar o Teste do Pezinho logo após o nascimento da criança, cujo objetivo é detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, que podem ser identificadas antes da manifestação de seus sintomas.

E o Teste da Orelhinha? Muitas gestantes desconhecem este teste! A finalidade é avaliar a audição da criança, uma vez que a perda auditiva atinge de 1 a 2 bebês por 1000 nascimentos.

O ideal é realizar o Teste da Orelhinha no segundo ou terceiro dia de vida, mas pode ser feito até os 3 meses. As perdas auditivas influenciam o aprendizado da linguagem.

'O tempo de duração varia entre 5 e 10 minutos, não tem qualquer contraindicação, não acorda nem incomoda o bebê. Não exige nenhum tipo de intervenção invasiva (uso de agulhas ou qualquer objeto perfurante) e é absolutamente inócuo'. [http://brasilescola.uol.com.br/fonoaudiologia]


     
          Mais informações: contato@projetobeethoven.com.br         
                                     

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